Arquivo | Julho, 2013

Se quiser conversar, me escreva!

19 Jul

Vira e mexe recebo e-mails de famílias que estão passando pelo mesmo que passei, por pais que querem saber mais como lidar com uma criança traqueostomizada, por fisioterapeutas que querem ajudar seus pacientes e seus familiares.

Todos começam mais ou menos da mesma forma: “vi que seu blog está desatualizado, mas gostaria de saber…”.

Pois bem. O blog está desatualizado porque sou preguiçosa e desorganizada, mas gosto de conversar e de compartilhar o que aprendi. Por isso, se precisar, me escreva. Vou responder feliz da vida!(e-mail: elisa.franca.v@gmail.com)

No mais, quero deixar aqui um trecho do diário que mantive no tempo que a Alice esteve na UTI.

>> A primeira coisa que a minha irmã me disse quando viu a Alice foi: “Que legal! Você fez uma pessoa!”. E é verdade. Eu não deixo de me espantar toda vez que tenho ela nos braços e sinto o seu corpinho quentinho e cheiroso. É uma sensação estranha de amor. Ainda não sei descrever o que é. Quando vejo seu rosto, sinto como se sempre tivesse conhecido aqueles traços, aquela boca e, principalmente, aqueles olhos gigantes de uma inteligência e brilho ancestral. Eu já nasci conhecendo os olhos dela. A sensação é essa.

E então quando penso que as minhas experiências de maternidade vão ser completamente diferentes do que a de todas as outras mães do mundo, eu não me sinto triste. Ter ela junto de mim só me dá alegria. É um amor tão grande que aperta no peito. E também medo de perder ela.

Enquanto escrevia essas linhas, pensei: “e se ela tiver morrido quando a Elisa do futuro ler isso?” Eu não queria escrever isso, mas é um medo, um pavor, que carrego comigo. Por outro lado, ter ela junto de mim é a única certeza que já tive na vida. De que olhar nos seus olhos pela eternidade sempre me fará feliz.”<<
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